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O quebra-cabeça

4 de setembro de 2013

talvez a vida nunca traga explicações, mas Deus, em Sua essência é Amor.

Estava há horas (ou há anos, não sabia bem) diante daquele imenso quebra cabeças que havia encontrado em algum lugar da casa ou da vida há algum tempo. São peças demais, pensou, isso está errado. Apoiava o cotovelo na mesa e o rosto na mão, desanimando.

Nada parecia se encaixar. Nada parecia ficar certo, como a imagem da caixa mostrava. Parecia que a realidade daquelas peças havia sido completamente alterada ao longo do tempo, e que nunca na vida aquilo ia ficar igual ao modelo.

Tentou de novo. Com a vista cansada, levantava as peças à altura da luz e apertava os olhos, tentando entender que parte da imagem elas representavam. Depois de tanto tempo, parecia que não havia tido resultado algum. O desenho ainda estava abstrato demais. Esfregou o rosto, cansada, quase desesperada ao ver peças tão distintas umas das outras, como se não tivessem sido colocadas na mesma caixa pela mesma pessoa; como se não tivessem sido recortadas da mesma fotografia. Devia ser assim! Falava um pouco mais alto, frustrada, ao bater o punho na mesa. Algumas peças pularam e outras, já encaixadas, saíram do lugar. Ergueu os ombros. Um pequeno estrago em algo abstrato não parecia fazer diferença, agora.

O tempo continuou passando. Não que ela tivesse a obrigação de colocar as peças no lugar, mas, certa ou não por se sentir assim, pensava ser responsável. Ficava brava com cada peça rebelde que não se encaixava, que, embora devesse, nem sequer se parecia com o modelo.

Repetiu o que estava fazendo esse tempo todo: olhou para o modelo e tornou a olhar para as peças, sem enxergar concordância nenhuma. Aquilo a afligia. Parecia pequeno demais pra causar tanta aflição. Mas só ela podia entender.

Nervosa, sua vontade era de se levantar e bagunçar todas as peças e, por fim, dar as costas, esquecer tudo. Deixar de acreditar que aquilo tudo importava, mesmo. Mas não. E o coração apertava.

Com a mente cansada, deitou a cabeça sobre o braço, na mesa e se distraiu em milhões de pensamentos. Fazia as peças dançarem sobre a mesa, sob seus dedos e aí, vez ou outra pegava uma delas e colocava acima dos olhos. Apenas observava, como se olhasse além de cada uma delas.

Mas e se, por trás de cada uma daquelas peças, daqueles fragmentos de imagem que não pareciam ter sentido nenhum, quando unidos… E se entre tudo aquilo houvesse uma história? Uma história que as interligasse, que as unisse de maneira bem mais importante e fiel do que apenas o recorte do encaixe.

E o fabricante do jogo? O que ele pensaria se pudesse ver suas peças agindo de maneira tão rebelde ao recusar não encaixar-se umas as outras?

Acabou adormecendo, e sonhou com algo mais real e concreto do que essa mera alegoria sobre um quebra-cabeça.

Acontece que ela existe. E que ela não é só uma. Creio que ela seja uma infinidade de cristãos cansados de não encontrar respostas para tantas perguntas. Alguém que se viu perdido, não como o montador do enorme quebra-cabeça, mas como apenas uma pequena peça, que nada pode fazer por si e por todas as outras, no meio de toda a bagunça.

E não é isso mesmo? O cristianismo se tornou um enorme quebra-cabeça cujas peças estão dispersas pelo mundo vivendo as próprias verdades, isoladamente, irreconciliáveis. Todas as doutrinas, as teologias, as ideias, os discursos… É possível que em algum momento olhemos para tudo isso, confusos com tantas possibilidades, opções, caminho, e nosso coração se desespere e se frustre, porque, também, nada parece se encaixar; nada parece combinar com o modelo que é, unicamente, Cristo.

Adventistas, Batistas, pentecostais, teólogos da prosperidade, arminianos, calvinistas, luteranos, anglicanos. Gente que não está nem aí com nenhum desses títulos. Os pastores da TV, os músicos de sucesso. O que é pecado e o que não é? Milenistas, amilenistas. Manning, Lewis, White, Spurgeon, Washer! Bell, Hinn… Sábado? Domingo? Carnes impuras. Velho testamento. Graça. Fé. Obras. Salvos uma vez, salvos para sempre? Tudo já foi determinado? Ou será que podemos escolher? Arrebatamento. Todo olho verá. Inferno eterno. Céu. Marca da besta. Traduções. Interpretações. Vontades. Interesses. Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Como não ficar confuso com tanta gente convicta sobre tantas verdades tão distintas sobre uma mesma coisa?

Nosso coração pode se revoltar por nada fazer sentido, por não haver tantas respostas quanto precisemos, por não haver uma só opinião que seja absoluta e verdadeira.

Mas aí, então, quando, frustrados, desistirmos de crer que está em nossas mãos concertar o cristianismo e aniquilar todas as diferenças; quando cansarmos de procurar as respostas que nunca vamos ter em mãos, podemos descansar um pouco nossa cabeça e olhar para além de cada peça. Podemos pensar no Fabricante, o próprio Modelo do que tudo deveria ser. Podemos pensar na História por trás de todas as peças…

A luz invade nossos olhos obscurecidos pela dúvida quando olhamos para a única peça que pode unir todas as outras: o Amor de Deus. A calma toma conta de toda aflição e dá paz e alívio à nossa busca por respostas quando paramos para compreender que no meio de toda a bagunça está o amor, a cruz, a graça.

Entre toda a bagunça das peças espalhadas por cima da mesa está a única verdade absoluta em que podemos nos apegar. Cristo nos ama. Nos aceita. Morreu em nosso favor, a fim de perdoar nossos pecados e nos fazer livres. Cristo nos convida a nos entregarmos onde e como estamos; nos convida a caminhar com Ele, oferecendo-Se, ainda, a carregar o fardo pesado dos nossos erros – e Ele o faz, Ele o fez, na cruz. Isso basta. Todas as teorias, todos os discursos que passam disso não importam tanto quanto a certeza tão necessária de que somos salvos apenas por Ele.

Que hoje, na calmaria, ou amanhã, no nosso dia mais duvidoso, seja esse nosso chão. Seja nosso foco. A peça na qual vamos nos encaixar, independente de todas as outras. Que seja o Amor o que nos faz um. Que as dúvidas não nos desviem o olhar e as incertezas não nos façam desistir. Que o Espírito de Deus coloque Sua vontade nos nossos corações e nos faça caminhar convictos do que Ele já nos deixou claro.

Porque ninguém pode colocar qualquer outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo. 1Coríntios 3:11

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