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Caro amigo e companheiro de viagem,

9 de fevereiro de 2014

e eu espero que você receba a minha carta, e que esses dias corram bem...

Eu sei.

Chega uma hora que não adianta que ninguém diga mais nada. Nenhuma canção funciona como alívio pro coração, nenhum texto é motivador, nenhum sermão é encorajador.

Eu sei.
Chega uma hora em que os dias cansam as pernas e a pele, cansam os olhos de tanto chorar. Que a bagunça se torna uma enorme muralha ao seu redor, intransponível e que, ao mesmo tempo, parece estar desabando – em cima de você, dos seus ombros, sozinho. Chega uma hora que cansa o coração de bater descompassadamente sem acompanhar o ritmo louco que seus pensamentos em forma de coração chegaram a tomar dentro do seu cérebro.

O mundo parece estar sobre os seus ombros, pendurado no seu pescoço, outra vez, mas mais pesado que nunca. Eu sei. Chega uma hora que parece que não dá mais. Que não vai dar, nunca mais. Que já deu tudo o que tinha que dar. E você se sente o menor ser humano do mundo. Sente que sua solidão é a mais solitária em toda a terra. E mesmo cercado por algumas poucas pessoas, sente que todos escolheram não ficar do seu lado. Sente que o problema sempre foi você. Você foi o causador de todos os problemas que estão empilhados um em cima do outro sem nenhuma organização na sua muralha de bagunça.

(Me diz se é assim pra todo mundo ou se somos nós que enxergamos tudo mais abstrato, maior e mais dolorosa e poeticamente bonito)

Eu sei que é difícil acreditar, mas isso é mentira. Já deveríamos ter aprendido que nada disso é verdade, mas é que a dor às vezes nos cega mesmo. Nos rouba todos os sentidos. Eu sei.

E daqui, da minha bagunça particular, da minha cegueira, debaixo do mundo que está sobre os meus ombros, fica muito difícil te dar um conselho, te oferecer o ombro (ele já está ocupado, parece, com o mundo), te dar a mão, tentar mostrar o caminho – fica difícil até mesmo de enxerga-lo daqui onde estou; na verdade, acho que estou perdida.

Mas o que acontece é que, enquanto redijo esse, provavelmente, breve recado, vou me lembrando de algumas das palavras do Mestre. Principalmente sobre essa coisa de viver aqui nesse mundo não ser fácil, mas ter bom ânimo e lembrar que Ele venceu tudo isso (por nós), e que Ele se oferece inteiramente a tomar esse mundo que está sobre os nossos ombros em troca de toda a quantidade que aceitarmos de paz verdadeira.

Nós podemos aceitar que Ele o faça e podemos aceitar as coisas como elas são. Compreender, enfim, que, se todas as coisas têm seu lugar e seu tempo debaixo do céu, talvez esse seja o tempo de aguentar firme com toda essa dor, sentar em silêncio no meio de toda a bagunça, esperando que Ele nos dê sabedoria pra organizarmos aquilo que já fugiu do nosso alcance. Lembrar que nem tudo é escuridão; que vamos achar momentos leves nos dias mais tristes, momentos tranquilos nas horas mais difíceis, momentos claros nas noites mais escuras. Lembrar, também, que nem todo fim é o fim de tudo e que pra cada noite tem um novo dia esperando com novas chances pra oferecer. E que o verdadeiro fim, será o fim de todo o mal que nos pesou, e apenas o começo de infinitos dias eternamente leves e sem dor.

Eu sei.
Não é fácil apagar as luzes e se deitar decidido a acreditar em todas essas coisas. Simplesmente esquecer do caos e sussurrar “está bem, Mestre, tome tudo nas Suas mãos, eu aceito a Sua paz em troca”. Infelizmente não somos capazes de aceitar que é tão simples, que Ele fez isso ser tão simples. Mas, sabe? Ele sabe. E espera. Compreende que a nossa loucura também tem o tempo certo de ficar um pouco sã.

Está vendo?
Não deve ser tão difícil. Meu cérebro parou de girar aqui dentro apenas nesses minutos em que eu parei pra refletir nessas coisas todas. Sabe de uma coisa? Eu sei que é possível caminhar. Nenhuma dor é eterna.

Vamos juntos.

Com carinho, sua amiga e companheira de viagem,

Nila Maria.

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2 Comentários leave one →
  1. 9 de fevereiro de 2014 1:40

    Acho que comeram meu comentário mas novamente…

    Nenhuma dor é eterna.
    Obrigado Nila, isso ajudou a acalmar meu coração, embora esteja tão confuso tudo aqui dentro de mim, eu sei que vai passar para mim é para você também!
    Me sinto abraçada por Aquele que nos ama se sinta abraçada aí também!

    • 9 de fevereiro de 2014 1:49

      Amém, Thalita. É muito bom saber disso quando eu me sinto ruim demais pra pensar que posso ajudar alguém. Mas sei acima de tudo que nada disso vem de mim. Que estejamos no abraço dEle todos os dias.

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