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Antes de tudo

10 de agosto de 2013

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Mas é extremamente necessário me lembrar que antes de qualquer outra coisa, antes de qualquer dor, antes de todo o medo, antes de outras pessoas, antes de qualquer outro amor, antes do frio, antes mesmo do calor, antes das crises, antes das placas, das formas, das aparências, antes das culpas, antes de tudo, tudo o que se possa imaginar, antes do que talvez tenham me feito, antes dos meus pecados, dos meus erros, dos tropeços, dos vazios impreenchíveis, das quedas, da insegurança, da timidez, da tristeza, dos fracassos, antes de tudo isso e de qualquer outra coisa que possa haver no mundo inteiro, eu preciso me lembrar de que sou Sua filha.

Preciso me lembrar que é isso o que realmente importa. Preciso me lembrar que, apesar de tudo o que foi dito, feito e sentido antes, é como Sua filha que Você me enxerga. E essa lembrança deveria bastar.

E Você assiste a cada passo meu e não me impede de escolher pra onde andar. Você já viu todas as pedras antes de mim, mas não me impede de escolher andar na direção delas; afinal foi Você quem me deu o direito de escolha. E eu vou. E Você olha, apreensivo, desejando com todo o Amor que Você é, que eu vire e volte pra onde é seguro desde o começo.

Às vezes eu escolho não voltar. Você não desiste. E Você assiste a minha queda e corre até mim e espera até que eu veja que eu preciso desesperadamente da Sua mão pra levantar. Até que eu veja que eu preciso desesperadamente que Você não solte a minha mão enquanto me leva de volta pra o caminho certo.

Eu preciso lembrar que é assim que Você me ama. Que eu não preciso usar uma máscara de filho bonzinho. Que eu já posso arrancar as asinhas e a auréola que eu nunca tive, porque Você me ama sem elas. Que eu nunca precisei fingir nada, nem me importar com nada, porque Seu amor é maior.

Seu amor é maior do que o meu pecado. Você me ama mais do que odeia a maldade em mim. E está mais disposto a me curar pelo que eu sou, e porque ama quem eu sou do que me condenar pelo que eu faço.

Você deu tudo pra que eu vivesse em liberdade. Preciso lembrar que é ofensivo esquecer disso, esquecer que Você foi longe demais pra estar bem perto de mim, e que não tem nada no mundo inteiro que eu faça, pense, diga, sofra pra deixar longe demais de Você.

Mas (Você também sabe, tão paciente) que eu preciso da Sua graça pra tudo isso. Preciso da graça até pra me lembrar da graça. Preciso de Você até pra precisar de você.

O resumo de tudo é que eu não consigo sozinha. Eu não posso nada sem Você. Eu não sou nada sem Você. E nem quero ser alguma coisa longe de Você.

Minha prece e clamor mais alto, profundo e intenso, ainda que meus lábios estejam ocupados com outros sons, será cada batida do meu coração implorando por lembrar que Você me ama. Simplesmente me ama. E é completamente impossível que Você mude de ideia ao meu respeito.

Porque Você é meu Pai. E, antes de tudo, eu sou Sua filha.

Nila Maria

E tudo o que você tem que fazer é chamar
E Eu virei correndo pra o seu lado
E vou tirar o peso do seu mundo das suas costas, menina.

Nada pode te tirar de Mim
Você sabe que está aqui nos Meus braços

Roo Panes, The Weight of Your World (http://www.youtube.com/watch?v=Vt1eVkj-4uQ)

Oceano

30 de julho de 2013

if grace is an ocean, we're all sinking

São exatos três anos. Não consegue se lembrar se estava frio ou calor, mas vendo daqui, a essa distância toda, parece ter sido a noite mais fria de todas as noites frias. A paz que envolveu seu coração por todas as horas anteriores se dissipou e o que ficou foi uma sensação inexplicável de que correntes a prendiam na cama, embora seu corpo se movimentasse rapidamente, tentando escapar daqueles sentimentos, escapar de si mesma, dos pensamentos e da prisão que isso tudo se tornou em tão poucos segundos – talvez até menos que isso.

A luz acesa não foi suficiente. O som do rádio também não. Nem mesmo o carinho dos pais. Tentava orar. Tentava com todas as forças. Mas a guerra já estava oficialmente travada e a batalha seria mais sangrenta do que qualquer coisa doída que já acontecera em sua mente. Ah, a luta seria bem maior.

O medo a envolveu pela manhã, fechando seus olhos pra a misericórdia. Tampou os seus ouvidos pra o Amor. Acorrentou seu coração pra o perdão. Aquilo tudo alterou sua respiração, as batidas do seu coração. Tudo o que queria, tudo… Tudo o que ela queria na vida, naqueles dias, era fugir. Mas não dava. Era dentro dela mesma que tudo estava acontecendo. Tudo amedrontava. Tudo apavorava. Tudo parecia horrível demais.  Sujo demais. Pecado demais.

As semanas se estenderam, e em cada nova oportunidade pensava estar um pouco livre. Mas ainda não. Os joelhos não desgrudaram do chão. A Palavra era o único lugar seguro em que fixar os olhos. Mas sua mente ainda assustava. E quanto mais sustos ela levava, quanto mais golpes sofria, quanto mais sangrava, mais alto clamava, gritava. Mais suas lágrimas eram recolhidas pelo próprio Rei dos reis. Sua angústia estava sendo vista. Sua voz estava sendo ouvida. Ele se tornou seu abrigo. Seu Melhor Amigo.

E, já sem ar, pensando ter ido fundo demais, percebeu, enfim, que estava se afogando.

Percebeu que era, na verdade, um oceano de graça. 

Hoje, ao olhar pra trás, consegue ver as lascas de sua lapidação todas no chão. Ao olhar pra o próprio coração, pra as próprias mãos, vê as cicatrizes, vê tudo o que passou pra chegar aonde está. Vê que toda a dor foi necessária. De outro modo não teria aberto os olhos. Nem o coração.

Se não tivesse se afogado, não teria saído da superfície. Ali não era o seu lugar.

A lição é mesmo essa: podemos ser estrangulados. Espremidos. Pisoteados. Colocados contra a parede. Deus permite que essas coisas aconteçam. Deus permite o deserto pra ver o que está no nosso coração. E foi isso o que aconteceu. Deus não nos quer na superfície da intimidade com Ele. Quer profundidade. Mesmo que, pra isso, seja necessário que nos afoguemos e percamos o controle e o ar por algum tempo. E pode demorar. Demorou, na verdade, de verdade. Mas é… É o melhor que pode acontecer. Foi o melhor que podia ter acontecido.

E a última mensagem, o último recado, a última oração (eu quero chamar isso de súplica, apelo, pedido desesperadamente insistente) é: não. Se. Deixe. Voltar. Pra. A. Superfície. Não importa o que aconteça. Olha pra trás e vê se vale a pena deixar solto nesse vasto oceano tudo o que aprendeu, tudo o que ganhou, o que prometeu, o que viveu…

Mudou tanto, mas sabe que ainda tem tanto a aprender. Não dá pra desistir agora. Não dá pra soltar a âncora agora. Tem tanto pra crescer. Tem tanto Amor, ainda, pra inundar esse coração…

(Não precisa fazer sentido)

Nila Maria (três anos depois).

Aos que esperam

29 de junho de 2013

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Quando tudo se acalmar, ou mesmo agora, na primeira oportunidade que você tem de respirar, experimente olhar só um pouco pra trás e ver a maneira perfeita como Deus te guiou até aqui. Que cada perda foi mesmo um ganho, cada pancada foi pra acordar, cada dor foi, na verdade, um alívio. Quando fazemos isso, entendemos o propósito de tudo. Entendemos por que tivemos que viver tudo aquilo. Vemos como Deus nos ama e temos a segurança de olhar pra frente, sabendo que Ele não mudou, e que continuará a nos guiar da mesma forma como antes nos guiou. 

E quando olhamos pra frente, quando olhamos pra a maior promessa pela qual poderíamos esperar, vemos que qualquer desespero é inútil. Como é inútil pensar que não somos amados, que este é sim o fim da linha, diante da grandeza da certeza de que (1) Jesus vai voltar, Ele prometeu e vai cumprir; (2) toda a dor será aniquilada por toda a eternidade, todas as lágrimas serão enxugadas pelo Seu Amor; (3) tudo se fará novo e (4) as coisas velhas vão ficar pra sempre esquecidas, bem longe da nossa memória. 

Que saibamos esperar por novos dias. Novas chances. Novos sorrisos. Novas pessoas, olhares, abraços. Vitórias, conquistas. Sonhos realizados. Que saibamos enxergar cada dia, semana, mês ou até ano de espera como parte do plano perfeito de Deus, entendendo o propósito que Ele tem pra a aparente demora. Ele não se esqueceu. Quando a caminhada chegar ao fim, veremos o quanto valeu a pena. 

Não desista. Hoje não.
(Se preciso for, leia outra vez, amanhã).

Andando com Jesus não há perdas

5 de junho de 2013

Porque, quando olhamos pra trás, vemos que cada perda foi um ganho. Que cada espaço vazio foi preenchido com algo bem maior. Vemos que as dores que pareciam ser o fim só foram o alimento pra um novo começo, e que as lágrimas sem solução serviram apenas para regar um novo caminho.

Não há perdas, porque, quando olhamos pra trás, vemos que Ele Se perdeu por nós. E da perda maior houve ressurreição e vida, e caminho até aqui; a nossa vida, minha e sua. Ele Se perdeu pra nos encontrar, e nós nos encontramos nEle, e nEle encontramos caminho Eterno. Vida sem fim, pra que tudo que é mau, aí sim, isso sim, pra todo o sempre, se perca.

Em tempo de guerra

19 de abril de 2013

E apesar das bombas explodindo ao nosso redor, apesar do caos, da confusão, do barulho, do fogo, da fumaça, dos que desistiram, dos que estão caídos; apesar de tudo isso, aqui, atrás da minha trincheira, no esconderijo do Altíssimo, à Sua sombra, mesmo com todas essas feridas, alguns momentos são doses enormes de uma paz inexplicável pra mostrar que há muito mais Esperança do que eu podia me lembrar. 

Estou protegida, estou segura. E nesses momentos de imensa e incomparável paz, em que vejo que muitos dos meus companheiros de guerra, embora feridos, marcados pelas bombas, pelo fogo, pelo ódio e as lágrimas, também estão vivos, ainda têm forças, posso até dizer que estou confiante. 

Nunca vou saber onde vai estourar a próxima granada. Nunca vou saber que parte de mim posso perder no próximo ataque. Mas eu sei bem que enquanto estiver aqui, por mais que eu perca, só vou ter ganhos. Por menos que eu tenha, ainda terei tudo; ainda terei Você.

E no meio de tanta dor, uma onda de alívio tão grande invade meu peito me fazendo querer mais. Mais de Você. Ainda que na guerra. Porque eu preferiria sofrer mil ataques perto de Você a ficar ilesa e distante. 

Em tempo de guerra, sei que está aqui. Porque quando sou fraco, disse um velho companheiro, aí, então, é que sou forte (2 Corintios 12:10)

Amor em cinco atos: Ato V – Final feliz

2 de abril de 2013

Não podia terminar assim! Não faria sentido se Ele apenas subisse e nós continuássemos aqui apenas nascendo, crescendo, nos reproduzindo e morrendo, num ciclo sem fim. Então, Ele prometeu voltar e nos buscar, nos levar pra Ele, pra todo o sempre.

O último ato desta história de Amor ainda está por vir, e não demora – cada dia tenho mais certeza de que está mais perto. Breve, muito breve, ouviremos as trombetas, veremos os anjos, em com grande glória, o Rei vindo do Céu sobre as nuvens.

Não cabem aqui explicações teológicas sobre como isso vai acontecer. Cabe fazer com que todos saibam. Cabe dizer que esse será o desfecho glorioso da história deste mundo de pecado. Cabe lembrar a cada coração que todo o mal vai se findar. Que, desse dia em diante, o real significado do Amor vai ser vivido em todos os dias sem fim da nova vida. Que as marcas nas mãos vão lembrar pra sempre que não foi em vão. Que valeu a pena, porque agora viveremos com Ele, e não tem nada, absolutamente nada que nos separe dEle.

Está perto. Os sinais estão claros. É preciso anunciar aos quatro ventos. Precisamos nos preparar; não há mais tempo a perder.

Que a cada instante nosso coração esteja consciente de que estamos vivendo as cenas finais dessa história. Que a cada instante nosso coração se abrande na esperança de que o final será mais feliz do que qualquer coisa que já tenhamos imaginado por aqui. Que esse seja nosso maior desejo. Que seja breve.

Maranata!

Amor em cinco atos: Ato IV – A melhor notícia de todas.

31 de março de 2013

Baseado em Lucas 24.

Manhã de domingo. As amigas de Jesus acordaram dispostas a ir cuidar de Seu corpo, agora que o sábado tinha acabado. Tinham de recomeçar de alguma forma, e Ele precisava ser parte deste recomeço. Foram até seu túmulo, talvez relembrando de tudo o que viveram com Ele até ali. As experiências que ainda não tinham contado. As palavras que tinham ouvido… Até que foram surpreendidas por um anjo e uma grande pedra fora do lugar.

“Por que vocês estão procurando Quem vive entre os mortos?”, o anjo perguntou. “Ele não está mais aqui. Ressuscitou”. Então o coração das três começou a arder ao lembrar que Ele havia dito algo sobre isso. Então o anjo as ajudou: “Ele disse a vocês: ‘o Filho do Homem precisa ser entregue aos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia” (v. 5-7).

Fez sentido. A alegria de simplesmente saber que Ele estava vivo não coube só no peito delas. Precisaram levar a notícia a todos que conheciam. A princípio não acreditaram, mas um deles foi verificar e viu que de fato Ele não estava lá.

Jesus estava vivo e era isso que importava. Importava pra eles. Importava pra os fariseus e pra os romanos. Importava pra o Céu e pra o inferno. E importa pra nós. Sua ressurreição destruiu a morte pra sempre. Se hoje temos vida, temos chance, temos esperança, é porque Ele voltou à vida naquela manhã de domingo.

Essa é a Mensagem que ecoa pelo universo e nos traz salvação. E a salvação é algo que é grande demais pra caber só no nosso peito. A lição de hoje é o exemplo das três amigas de Jesus, que não contiveram a melhor notícia de todas e tiveram sede de contar pra todo mundo que a Vida estava viva.

Que possamos nos alegrar com a certeza de um Deus que vive pra sempre, tanto, a ponto de sentir necessidade de que todos saibam. Que não nos contentemos em não deixar que nossos amados saibam. Todos precisam saber que Ele vive e porque Ele vive temos esperança.

Jesus ficou por aqui por mais alguns dias, depois que ressuscitou; deixou algumas últimas lições. E, então, subiu.

Mas não podia terminar assim…